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Assunto: Matas de brejo e as várzeas da Reserva Santa Genebra
em Barão Geraldo
Pequenino
Histórico A
fazenda Santa Genebra pertenceu, no final do século 19 e no início do
século 20, ao Barão Geraldo
de Rezende. Quando o ciclo do café dizimou as florestas no interior do
Estado, algumas
áreas florestais foram preservadas, em parte porque o Barão
Geraldo tinha grande afeição
pelas plantas. Na historia mais recente, esta mata pertenceu a José
Pedro de Oliveira, e posteriormente
a sua viúva Dona Jandira Pamplona de Oliveira que em 1981 doou a mata
à Prefeitura
de Campinas. Bens
da mata Ainda
segundo o parecer do botânico, as
florestas higrófilas do entorno da Reserva Municipal Estudo
das matas de brejo No
trabalho de pesquisa realizado por Andrea P. Spina e Washington M.
Ferreira foram amostrados
145 espécies, 109 gêneros, 55 famílias de Angiospermas, (130 espécies
de Magnoliopsida
e 15 de Liliopsida); destas, 66 espécies arbóreas, 31 espécies
arbustivas, 8 subarbustivas,
9 espécies herbáceas, 27 espécies de lianas, 2 espécies de plantas
herbáceas- epífitas
e 2 espécies de plantas epífitas parasitas. A
Aroeira, Pindaíba do brejo, Embaúba, Ipê amarelo do Brejo, Canela,
Massaranduba, Cabreúva,
Jacarandá de espinho, Cedro do Brejo, Figueira, Suinãs, Ingás , Cambuí,
Pau de Viola,
Canjerana, Copaíba etc... são os nomes comuns de algumas das espécies
citadas. No
estudo fitossociológico realizado nesta baixada, entre 1993 e 1994,
mais específicamente até os
fundos do CEASA, pelos pesquisadores Maria Teresa Zugliani Toniato
e Hermógenes de Freitas
L. Filho foram amostrados 955
índivíduos de 55 espécies, 44 gêneros e 29 famílias. Segundo
o estudo a família mais rica em espécies foram Myrtaceae (9 espécies),
lauraceae(6), Meliaceacea
e tapirira guianensis(Anacardiaceae), representadas por um grande número
de indivíduos. Estes
fragmentos de matas de brejo situados nesta planície de inundação
ocorrem normalmente
sobre solos hidromorfos, em locais permanentemente encharcados onde
existe afloramento
de lençol freático. A superfície do terreno é bastante irregular e a
vegetação cresce sobre
elevações de terreno que ficam circundadas por canaletas de água que
se mantém em caráter
permanente mesmo nas épocas mais secas do ano. Embora sujeitas a
fatores de perturbações
adjacentes como as queimadas, a cultura de cana de açúcar,
rituais de umbanda, corte
seletivo de espécies como por exemplo das palmeiras Euterpe
edulis e Syagrus romazzoffiana
para a extração do palmito, foram observadas também descarga de substâncias
químicas e óleo.
Os fragmentos de áreas brejosas são extremamente vulneráveis á condição
de encharcamento
permanente do solo e estão cada vez mais raros, devendo por esta razão
merecer especial
atenção na implementação de medidas de preservação e recuperação. Outro
aspecto importante na preservação deste ecosistema seria em relação
a fauna. Segundo a avaliação
da avifauna feita pelo do Prof. Dr. Wesley R.Silva observa-se
que por se tratar de florestas
com reduzida dimensão e circundados por vegetação de pequeno porte(
brejos, pastos,
plantações etc.) a sua avifauna é marcada por uma composição em espécies,
típicas de ambientes
mais abertos e alterados. O
parecer da fauna de mamíferos não voadores, feito pelo Prof Dr Emydio
Leite de A. Monteiro
Filho, coordenador do laboratório de Biologia e Ecologia de vertebrados
da Universidade
Federal do Paraná, com estudos na área da reserva Santa Genebra e nas
matas de brejo
atesta para o importante suporte que o complexo de matas hidrófilas e
brejo é para a fauna
da reserva Santa Genebra. Ele afirma que nas matas de brejo podem ser
encontrados como
membros residentes uma série de pequenos mamíferos como os gambás(Didelphis
albiventris e
Didelphis marsupialisa) a cuíca (lutrolina crassicaudata), o preá
(cavia aperea) e pequenos
roedores silvestres do genero Oryzomys e Bolomys. Ainda para os
vertebrados, a grande
importância das matas de brejo da periferia da reserva de Santa Genebra
se deve ao fato
de estar atuando como fonte de alimento para parte considerável da
fauna . Bacia
do Ribeirão Quilombo No
Plano de gestão urbana de Barão Geraldo o capítulo que trata da bacia
do Ribeirão Quilombo
- que abrange grande parte da área em questão, onde estão suas
nascentes - atesta que
esta bacia se encontra extremamente poluída por esgotos domésticos e
industriais. Os esgotos
domésticos são lançados diretamente no Ribeirão Quilombo pelos
bairros São Marcos, Campineiro
e adjacências. Apresenta várias planícies de inundação já
ocupadas por favelas. Esta bacia
tem significativa importância para a construção do imaginário
coletivo de áreas verdes e rural
nos moradores de Barão Geraldo, pois nela se encontram fragmentos de
mata nativa além do
corredor migratório que deve interligar as matas de brejo próximo ao
CEASA com a Reserva
Santa Genebra e várias propriedades rurais com produção de
hortigranjeiros. No
Plano
local de Gestão Urbana de Barão Geraldo, foi proposto um projeto
especial de corredor migratório
da Reserva Santa Genebra e as florestas brejosas. Configurando uma faixa
de grande
valor ambiental criou-se um corredor migratório, como unidade de
conservação. BEM
NATURAL C Localiza-se
ao -sul- da Reserva, e se estende para além da área envóltória de
300 metros do Junta-se
então a outra parte, ao Bem natural D , já na parte suleste, e segue
até os fundos do CEASA. Bem
Natural D Localiza-se
na parte sul-sudeste da reserva, não sendo possível estabelecer o
limite entre a reserva
da Mata Santa Genebra e o bem natural, seguindo este complexo até
os fundos do CEASA
na Rodovia D. Pedro I. Constitue-se
em um conjunto de matas típicas de solos encharcados, (florestas mesófilas
semidecíduas higrófilas)
associados aos mananciais, formado sobretudo por arbustos, que
possuem mais de um
caule lenhoso chamado de vegetação herbacéa e arbustiva que faz parte
da bacia do Ribeirão
Quilombo. Também se constata um grupo de árvores exóticas
(eucaliptos) no meio
de uma das porções de mata, mais já existindo recuperação da mata
nativa com cobertura
por grupos de musgos, resíduos de estratos superiores (folhas e
ramagens) plantas
rasteiras etc. Este complexo de florestas e brejos se estende
para muito além
dos 300 metros da área envoltória da Reserva Santa Genebra. Pelo
fato de serem áreas abertas, sem nenhuma fiscalização essas áreas
foram alvo da caça predatória
intensiva. No interior destas florestas foram por diversos anos
encontrados armadilhas,
cevas e restos de animais mortos . Hoje
todos sabemos que a Reserva da Santa Genebra é destinada exclusivamente
para pesquisas-conforme
termos de sua doação- funcionando como um grande laboratório para
pesquisas biológicas,
interando plantas e animais, dinâmica de populações animais e
vegetais, solos,
educação ambiental, monitoramentos de fatores físicos e alterações
naturais antrópicas. “Independente
de qualquer outra consideração, a destruição dos fragmentos
representa um considerável
prejuízo econômico e uma completa falta de visão sobre investimentos
futuros.
Marcia Helena Corrêa-PROESP |