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A população foi afastada das atividades cívicas e reuniões
em Barão Geraldo
Fevereiro 2006
Adalberto Moro
Vários acontecimentos
contrários ao bem estar (ou que provocam mal estar) na população do
distrito, estão fazendo com que os representantes das associações e
moradores em geral, não compareçam mais nas reuniões comunitárias em
Barão Geraldo, inclusive as promovidas pelo Fórum Consultivo, que
representa 21 associações cadastradas e legalizadas no distrito. Estas
associações participavam ativamente da política local.
Quem lê
as diretrizes do Decreto 13.886 acredita que
a população participa da política local, mas os poderes públicos,
através de várias artimanhas, estão promovendo dificuldades,
desestímulos e agressões ao cidadão participativo. Está claro para nós, que o objetivo das autoridades de
Campinas é afastar o cidadão do Plano Diretor. Quanto menos entidades participativas para opinar, maior a
probabilidade da Lei Urbana do Município ser aprovada da forma que está
sendo elaborada, sem conhecimento da população, só dos
políticos, funcionários da prefeitura e proprietários de loteamentos.
Barão Geraldo deverá continuar sem cumprir planejamento (a
lei 9.199) e sem ações para que o futuro seja sustentável. O
partidarismo da atual administração está acima do exercício da cidadania
dos moradores e promove claramente (sem ser discreto) a deterioração de
qualquer entidade que não esteja "alinhada" partidariamente com a Prefeitura.
Exemplo das
Dificuldades
O próprio Decreto 13.866, que determina participação popular, tem entraves burocráticos que
dificultam a legalização de associações e
provocaram desistências das Associações Populares legalizadas e já cadastradas, como
está ocorrendo.
Leia parecer do Decreto 13.866 - Artigo 2º
Exemplo de
Desestímulos
As antigas
reuniões do Fórum Consultivo,
da AMOC,
do Conseg,
das
Intersetoriais,
do Conselho de Saúde e
do Anhumas, eram freqüentadas por
dezenas de moradores interessados no bem comum do distrito. As reuniões
eram participativas, apartidárias e úteis. Houve
reunião que, dentre os moradores, havia representantes de 6 partidos
políticos diferentes. Todos debatiam e era tomada uma atitude em
benefício da comunidade, inclusive com processos judiciais defendendo o
meio ambiente e futuro sustentável do distrito. Todos
os processos tiveram parecer favorável na justiça, ou seja, as associações
unidas ganharam
todos os processos. Leia processos judiciais
das Associações de Barão Geraldo.
Atualmente, quando se vai em uma destas reuniões, nota-se predominância de
funcionários da prefeitura ou de pessoas ligadas a ela, com assuntos
específicos, que o cidadão comum fica de fora, não é tomada nenhuma atitude,
só conversa e reclamação. O número de moradores comuns nestas reuniões, está
diminuindo e o número de funcionários públicos e semelhantes aumentando.
O cidadão
comum, que está acostumado com reuniões objetivas, não agüenta o papo furado
e não volta mais.
Agressões das autoridades ao cidadão - fator que acaba com a cidadania
participativa.
1-Radar na Estrada da Rhodia - A forma de condução das multas aplicadas, a retirada da faixa de aviso
colocada pelos moradores,
15.000 multas só em
dezembro 2005 e o disse e depois não disse do secretário, são
agressões que revoltaram os moradores. Sem consciência de culpa, com valores
altos para pagar e possibilidade de perder a carteira de motorista, muitos
moradores, além da cidadania participativa desestabilizada,
apresentaram
sintomas de revolta contra as autoridades. (*)
2-A permissão
das construções estudantis irregulares (com mais dormitórios
do que a lei permite) para fins lucrativos,
é uma agressão aos moradores da Cidade Universitária. Estas construções
são ilegais e permitidas pelas autoridades. Esta agressão desestabilizou
a cidadania participativa dos moradores que viam nas autoridades, defensores de leis e
do bem estar comum. (*)
3-O não atendimento por parte da prefeitura, do pedido da
AMOC, associação
representativa de
um dos maiores bairros da cidade, sobre a não realização da
micareta, também
foi uma agressão à cidadania participativa dos moradores que estavam
defendendo o local onde moram, contra interferência anormal da
vizinhança com prejuízo do sossego
(Código Civil - Art.
1.277). A AMOC tem representatividade legítima e foi ignorada, isto
foi um desestímulo à participação cívica dos moradores, ou seja, outra
forma de desestabilizar as atividades sólidas de cidadania atuante no
distrito, em favor de agradar pessoas em trânsito, sem pretensões de
atividades cívicas locais e objetivo de diversão - além é claro, de
"agradar" os proprietários de moradias estudantis irregulares no bairro, que
conseguem tudo na atual prefeitura, até
engessar as leis.
(*)Muitos moradores afirmaram: "não quero mais pensar nem participar
de mais nada".
Leia também:
A
porcentagem de assaltos em Barão Geraldo é maior do que em Campinas
- abril 2006
Participação popular no Fórum de Barão
Geraldo - julho
2005
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