|
Carrapato nos cães e a
febre maculosa
Em
Barão Geraldo já houve mortes por febre maculosa
- janeiro 2009
-
No Brasil também é
conhecido pelo nome popular: Carrapato-vermelho-do-cão. Ao
contrário da maioria dos carrapatos, o Rhipicephalus possui geptropismo
negativo, ou seja, ao sair do hospedeiro ele procura lugares altos, de
preferência lugares pertos do ambiente onde os hospedeiros ficam e
dormem.
O carrapato Rhipicephalus
sanguineus, também comum em cães, pode estar no mapa da epidemiologia da
febre maculosa. O risco seria grande, porque o ciclo de vida desses
carrapatos é mais próximo das pessoas: passam a vida toda em cachorros
e, na fase livre, podem aparecer andando pelas paredes e cercas das
casas. Os resultados estão em artigo no site da Vector-Borne and
Zoonotic Diseases. Em 2005, o grupo coletou 481 carrapatos de cachorros
da comunidade Recreio da Borda do Campo no município de Santo André,
Região Metropolitana de São Paulo, e verificou que 1,3% deles continha
R. rickettsii, o mesmo nível de infecção que outros estudos tinham
encontrado no carrapato-estrela.
Os veterinários da USP têm ampliado também a busca por outros agentes da
doença. A bactéria Rickettsia parkeri, por exemplo, causa uma versão
mais branda de febre maculosa e é possível que escape ao diagnóstico.
Com análises genéticas, recentemente descobriram outra espécie de
Rickettsia, que apresentaram em setembro na Conferência Internacional
sobre Carrapatos e Patógenos Transmitidos por Carrapatos, na Argentina.
É Rickettsia monteiroi, batizada em homenagem a José Lemos Monteiro,
pesquisador do Instituto Butantan que morreu de febre maculosa quando
trabalhava no desenvolvimento de uma vacina contra a doença em 1935. Na
última década, relatos da doença vêm de todos os estados da Região
Sudeste. Em Santa Catarina também parece haver febre maculosa, mas uma
versão mais branda, que não leva à morte – provavelmente outra espécie
de Rickettsia. Para Labruna, é preciso entender melhor a ecologia da
bactéria para fazer frente à doença. Enquanto isso, o jeito é catar
carrapatos depois de passeios silvestres e não economizar nos
carrapaticidas para cães.
Do site da Revista Fapesp
|