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A triste história do Flexa
Esta é uma incrível história
de vida e morte em que o ser humano mostra toda sua capacidade de
crueldade e de amor dependendo da sua filosofia de vida.
Eu fui apenas coadjuvante nesta história e gostaria de deixar registrado o
meu horror pelo ser humano que trata a vida como um negócio em que só se
vê o lucro financeiro e a minha admiração pelo ser humano que sabe o valor
precioso que é qualquer vida que existe na face da terra, seja ela: um
germe, uma planta, um animal ou até mesmo um outro ser humano tão
desprezível quanto esse que só vê em sua criação de cavalos o lucro
financeiro sem se importar com a dor e o sofrimento de um potro
recém-nascido.
Pode até ser que existam algumas diferenças na história que vou contar,
mas o que pretendo é que a essência dela possa ser dividida com todos os
que se interessarem por ler este desabafo.
Dia 27 de outubro de 2004, nasce em uma fazenda próxima daqui de Campinas
um potrinho Mangalarga de uma égua totalmente saudável e que com certeza
cuidaria muito bem da sua cria não fosse as mãos cruéis de seus donos que
o separaram dela para colocar em seu lugar, uma outra potrinha, cria de
outra égua “premiada”, que por causa de um câncer teve que ser
sacrificada.
O Flexa que a princípio se chamava Flash, abandonado, sai por esse mundo
afora a procura de ajuda.
Estava ele às margens da rodovia D. Pedro quando entra em cena um ser
humano maravilhoso que não mediu esforços para acolhê-lo, busca ajuda com
a DERSA, colocam o Flexa numa ambulância e vão tentar descobrir de onde
tinha saído aquele bebê.
Não precisaram procurar muito, a fazenda era bem próxima dali. Só que eles
não tinham o menor interesse em ficar com ele e nem ao menos deixá-lo
mamar um vez, e se o potrinho ficasse ali seria sacrificado.
Bem, então a nossa amiga Kathia, resolve levá-lo para sua casa.
Uma casa boa e que até teria condições de criá-lo ali, mas ela não tinha
nenhuma experiência de como criar um cavalo, com 7 dias de vida e que não
sabia nem mamar.
O jeito era procurar ajuda. Telefonando para pessoas conhecidas foi
descobrindo algumas pessoas, médicos veterinários, que foram trazendo
remédios, conhecimento, disposição de aplicar um soro, uma injeção e assim
foram se somando recursos para salvar aquele bebê tão dócil, delicado e
tão sofrido.
Assim foram passando os dias e a cada dia novas pessoas iam trazendo,
leite, remédios e dispondo uns minutos de seu tempo para tentar salvá-lo.
Eu confesso que relutei a entrar nessa luta, pois sabia que era barra
pesada, mas estava vendo minha irmã cada dia mais desesperada porque ele
não reagia e a cada dia ficava mais fraco.
Ainda não tinha aprendido a mamar, então tivemos que ensiná-lo, contando
com a ajuda dos filhos e sobrinhos que vinham, a todo momento, ver o que
podia ser feito fomos tentando despertá-lo para a vida.
Tudo o que sabíamos fazer e tudo que estávamos aprendendo a fazer, foi
feito, mas infelizmente ele não suportou esse sofrimento e morreu ontem
(16 de novembro de 2004) com apenas 20 dias.
Estamos muito tristes por isso, mas garanto a vocês que a lição de vida e
morte que aprendemos foi maravilhosa.
E quero agora deixar um recado à minha irmã e a todos aqueles que
participaram desta história.
Para aqueles que causaram tanta dor e sofrimento, peço à Deus, piedade,
pois no lugar do coração eles tem uma pedra de ouro e desejo que nunca
precisem passar por isso na vida pois a rejeição é um dos piores
sofrimentos que um ser vivo pode passar.
Desejo ainda que se um dia, eles passarem por tamanho sofrimento que
encontrem um coração misericordioso que possa acolhê-los.
Para aqueles que nos deram apoio, os veterinários, os amigos que trouxeram
doações de leite, soro, remédios, luvas, esparadrapos, carinho, um pouco
de seu tempo, enfim todos que participaram em algum momento para apoiar
minha irmã tão querida.
Muito obrigado! Sincero, de coração, e saibam que precisando de nós,
estaremos prontas para a luta.
E, para você minha irmã, que é essa pessoa muito linda, piedosa e
misericordiosa desejo que consiga acolher em seu coração toda a angústia
desta história, e guardar com você toda esta experiência que só enriqueceu
sua vida, não de dinheiro, mas de amor, carinho, dedicação e abnegação que
é o que conta para nos tornarmos um pouquinho melhores amanhã.
Amo você!
Sua irmã,
Claudia |