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Reserva da Biosfera da Mata
Atlântica
1.4.
PROMOÇÃO DE CAMPANHAS DE CONSCIENTI-ZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO
"Estão tirando o verde de nossa Terra". Com essa denúncia-campanha a
Fundação SOS Mata Atlântica transformou a Mata Atlântica de "ilustre
desconhecida" em prioridade nacional (e internacional) de conservação.
Ter e repassar conhecimento da situação, provocar indignação, indicar
caminhos e abrir canais de participação para o cidadão comum colaborar
na proteção dos bens coletivos e de interesse difuso, são ações que,
juntas, têm representado uma das mais bem-sucedidas estratégias do
movimento ambientalista.
Na Mata Atlântica são inúmeros os exemplos de campanhas de
conscientização e mobilização: a luta contra a construção do Aeroporto
Internacional de São Paulo na Reserva de Morro Grande (Cacauia do Alto);
a luta contra as usinas nucleares e a criação da Estação Ecológica
Juréia Itatins; a luta pela recuperação do Rio Tietê; o Movimento
Pró-Ribeira contra as barragens no Rio Ribeira de Iguape; as campanhas
em defesa do Mico-leão Dourado e das Baleias; a mobilização pela
implantação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica; as campanhas pela
criação e implantação de vários parques (Parque Nacional da Serra da
Bodoquena/MS, do Superagui/PA; do Descobrimento/BA, etc.); as lutas pela
legislação de proteção da Mata Atlântica (Decreto 750/93, Projeto de Lei
285/99 etc.); a campanha pelo fechamento da Estrada do Colono, no Parque
Nacional do Iguaçu; a Campanha "Desmatamento Zero no 3º Milênio"
capitaneada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica; a mobilização contra o
enfraquecimento do Código Florestal Brasileiro e inúmeras outras.
Tais campanhas demonstram um nível crescente de organização política da
sociedade civil, e sendo produto de uma frutífera parceria
principalmente entre ONGs e a mídia (TV, rádio, imprensa escrita), por
vezes com importante apoio do Poder Público e da comunidade científica.
Os meios de exteriorização e divulgação dessas campanhas são os mais
variados geralmente produzidos e utilizados de forma integrada e
simultânea: cartazes, folhetos, cartões postais, vídeos, vinhetas em
T.V, releases para imprensa, eventos artísticos, festas, jingles para
rádio, entrevistas e debates em todos os veículos de comunicação,
camisetas, bonés, bottons, banners, faixas e abaixo-assinados. Tais
materiais, ainda que voltados para ações específicas, têm sido em seu
conjunto um fundamental instrumento de educação e conscientização
ambiental.
Atualmente as campanhas têm contado também com um novo e poderoso meio
de comunicação, a Internet. Além de permitir uma intensa e rápida troca
de informações, a Internet facilita a divulgação de muitas campanhas e
abre importantes canais de participação, através, principalmente, de
abaixo-assinados "on line".
Ao lado dessas campanhas de abrangência nacional, cabe destacar a
relevância das estratégias de campanha em nível local que se multiplicam
nas várias regiões da Mata Atlântica brasileira. São campanhas
destinadas a sensibilizar candidatos a cargos eletivos para a
conservação ambiental, ou dirigidas às instituições financeiras
nacionais e internacionais, que têm papel decisivo na viabilização de
projetos e obras em áreas de Mata Atlântica.
Também crescem as campanhas direcionadas aos consumidores de produtos
procedentes da Mata Atlântica visando o boicote aos bens de consumo
advindos da exploração predatória de recursos e incentivando os
processos de garantia da origem e certificação ambiental.
PONTOS FRACOS
1. A dificuldade que as organizações de pequeno porte enfrentam em
contar com apoio técnico e financeiro para elaborar campanhas e por
vezes, de ter acesso aos meios de comunicação mais efetivos (imprensa,
rádio e TV);
2. A insensibilidade de muitas autoridades e instituições de nível
decisório aos apelos e reivindicações da população veiculados nas
campanhas;
3. As contra-campanhas e a manipulação de informações dos adversários da
conservação ambiental, por vezes realizados com grande competência e com
argumentos bastante apelativos e "sensibilizadores", como a geração de
empregos pela atividade degradadora.
PONTOS FORTES
1. O papel das campanhas nos processos de conscientização, educação
ambiental e mobilização da cidadania;
2. O apoio da mídia, a colaboração dos profissionais e a participação de
muitos segmentos sociais – governamentais e não governamentais;
3. O acúmulo de vitórias concretas da mobilização ambiental para a
conservação e recuperação da Mata Atlântica em todas as regiões de seu
"Domínio".
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
As campanhas públicas de conscientização e mobilização em defesa da Mata
Atlântica estão entre as mais importantes e eficazes estratégias à
disposição da sociedade. Embora sejam utilizadas também por Instituições
Governamentais, este aparato vem sendo especialmente desenvolvido e
aplicado pelas ONGs em parceria com a mídia. É necessário, todavia,
propiciar, facilitar e incentivar o acesso das entidades de menor porte
a este instrumento e criar mecanismos de combate ao uso de campanhas e à
desinformação promovidos pelos adversários da conservação ambiental.
É de se considerar que mais forte será o apelo e o envolvimento das
campanhas junto ao público, quanto maior for o reconhecimento e a
credibilidade das entidades promotoras. Este reconhecimento e
credibilidade serão alcançados através de uma maciça e adequada
divulgação de seus trabalhos e atividades por meio de vídeos, folhetos,
cartazes, "sites" na internet, rádio e televisão. Nessa linha, as
instiuições devem explorar seus próprios canais de comunicação e a mídia
visando ampliar seus espaços informativos para este tipo de "divulgação
institucional".
SOS Mata Santa Genebra
Mobilização da Sociedade
http://sosmatasantagenebra.blogspot.com
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