|
A Agenda 21 vem se constituindo
em um instrumento de fundamental
importância na construção dessa nova
ecocidadania, num processo social no
qual os atores vão pactuando
paulatinamente novos consensos e
montando uma Agenda possível rumo ao
futuro que se deseja sustentável"
Gilney Viana
Secretário de Políticas para o
Desenvolvimento Sustentável
|
|
A
Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de
planejamento participativo para o desenvolvimento
sustentável e que tem como eixo central a
sustentabilidade, compatibilizando a conservação
ambiental, a justiça social e o crescimento
econômico. O documento é resultado de uma vasta
consulta à população brasileira, sendo construída a
partir das diretrizes da Agenda 21 global. Trata-se,
portanto, de um instrumento fundamental para a
construção da democracia participativa e da
cidadania ativa no País.
A
primeira fase
foi a construção da Agenda 21 Brasileira. Esse
processo que se deu de 1996 a 2002, foi coordenado
pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento
Sustentável e da Agenda 21 Nacional - CPDS e teve o
envolvimento de cerca de 40.000 pessoas de todo o
Brasil. O documento Agenda 21 Brasileira foi
concluído em 2002.
A partir de 2003, a Agenda 21
Brasileira não somente entrou na fase de
implementação assistida pela CPDS, como também foi
elevada à condição de Programa do Plano Plurianual,
PPA 2004-2007, pelo atual governo. Como programa,
ela adquire mais força política e institucional,
passando a ser instrumento fundamental para a
construção do Brasil Sustentável, estando coadunada
com as diretrizes da política ambiental do Governo,
transversalidade, desenvolvimento sustentável,
fortalecimento do Sisnama e participação social e
adotando referenciais importantes como a
Carta da Terra.
Portanto, a Agenda 21, que tem provado ser um guia
eficiente para processos de união da sociedade,
compreensão dos conceitos de cidadania e de sua
aplicação, é hoje um dos grandes instrumentos de
formação de políticas públicas no Brasil.
Implementação da
Agenda 21 Brasileira (a partir de 2003)
A
posse do Governo Luíz Inácio Lula da Silva coincidiu
com o início da fase de implementação da Agenda 21
Brasileira. A importância da Agenda como instrumento
propulsor da democracia, da participação e da ação
coletiva da sociedade foi reconhecida no Programa
Lula, e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de
Governo quanto em suas orientações estratégicas.
Um
outro grande passo foi a utilização dos princípios e
estratégias da Agenda 21 Brasileira como subsídios
para a Conferência Nacional de Meio Ambiente,
Conferência das Cidades e Conferência da Saúde. Esta
ampla inserção da Agenda 21 remete à necessidade de
se elaborar e implementar políticas públicas em cada
município e em cada região brasileira.
Para
isso, um dos passos fundamentais do atual governo
foi transformá-la em programa no Plano Plurianual do
Governo - PPA 2004/2007, o que lhe confere maior
alcance, capilaridade e importância como política
pública. O Programa Agenda 21 é composto por três
ações estratégicas que estão sendo realizadas com a
sociedade civil: implementar a Agenda 21 Brasileira;
elaborar e implementar as Agendas 21 Locais e a
formação continuada em Agenda 21. A prioridade é
orientar para a elaboração e implementação de
Agendas 21 Locais com base nos princípios da Agenda
21 Brasileira que, em consonância com a Agenda
global, reconhece a importância do nível local na
concretização de políticas públicas sustentáveis.
Atualmente, existem mais de 544 processos de Agenda
21 Locais em andamento no Brasil, quase três vezes o
número levantado até 2002.
Em
resumo, são estes os principais desafios do Programa
Agenda 21:
-
Implementar a Agenda 21 Brasileira. Passada a
etapa da elaboração, a Agenda 21 Brasileira tem
agora o desafio de fazer com que todas as suas
diretrizes e ações prioritárias sejam
conhecidas, entendidas e transmitidas, entre
outros, por meio da atuação da Comissão de
Políticas de Desenvolvimento Sustentável e
Agenda 21 Brasileira - CPDS; implementação do
Sistema da Agenda 21; mecanismos de
implementação e monitoramento; integração das
políticas públicas; promoção da inclusão das
propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das
Agendas 21 Locais.
-
Orientar para a elaboração e implementação das
Agendas 21 Locais. A Agenda 21 Local é um dos
principais instrumentos para se conduzir
processos de mobilização, troca de informações,
geração de consensos em torno dos problemas e
soluções locais e estabelecimento de prioridades
para a gestão de desde um estado, município,
bacia hidrográfica, unidade de conservação, até
um bairro, uma escola. O processo deve ser
articulado com outros projetos, programas e
atividades do governo e sociedade, sendo
consolidado, dentre outros, a partir do
envolvimento dos agentes regionais e locais;
análise, identificação e promoção de
instrumentos financeiros; difusão e intercâmbio
de experiências; definição de indicadores de
desempenho.
-
Implementar a formação continuada em Agenda 21.
Promover a educação para a sustentabilidade
através da disseminação e intercâmbio de
informações e experiências por meio de cursos,
seminários, workshops e de material didático.
Esta ação é fundamental para que os processos de
Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade,
através da formulação de bases técnicas e
políticas para a sua formação; trabalho conjunto
com interlocutores locais; identificação das
atividades, necessidades, custos, estratégias de
implementação; aplicação de metodologias
apropriadas, respeitando o estágio em que a
Agenda 21 Local em questão está.
Agenda 21 Brasileira
em ação
No
âmbito do Programa Agenda 21, as principais
atividades realizadas em 2003 e 2004 refletem a
abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está
conquistando no Brasil. Estas atividades estão sendo
desenvolvidas de forma descentralizada, buscando o
fortalecimento da sociedade e do poder local e
reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há
participação das pessoas, avançando, dessa forma, na
construção de uma democracia participativa no
Brasil. Destacamos as seguintes atividades:
-
Ampliação da CPDS: Criada
no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos
Naturais, do Conselho de Governo, a nova
constituição da CPDS se deu por meio de
Decreto Presidencial de 03
de fevereiro de 2004.
Os novos membros que incluem 15 ministérios, a
ANAMMA e a ABEMA e 17 da sociedade civil tomaram
posse no dia 1º. de junho de 2004. A primeira
reunião da nova composição aconteceu no dia 1º
de julho, e a segunda em 15 de setembro de 2004.
-
Realização do primeiro Encontro Nacional das
Agendas 21 Locais, nos dias 07 e 08 de novembro
de 2003, em Belo Horizonte, com a participação
de cerca de 2.000 pessoas de todas as regiões
brasileiras. O II Encontro das Agendas 21 Locais
será realizado em janeiro de 2005, durante o
Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS.
-
Programa de Formação em Agenda 21, voltado para
a formação de cerca de 10.000 professores das
escolas públicas do País que, através de cinco
programas de TV, discutiram a importância de se
implementar a Agenda 21 nos municípios, nas
comunidades e na escola. Esse programa,
veiculado pela TVE em outubro de 2003, envolveu,
além dos professores, autoridades governamentais
e não governamentais, e participantes dos Fóruns
Locais da Agenda 21, da sociedade civil e de
governos.
-
Participação na consolidação da Frente
Parlamentar Mista para o Desenvolvimento
Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. Esta
frente, composta de 107 Deputados Federais e 26
Senadores, tem como principal objetivo articular
o Poder Legislativo brasileiro, nos níveis
federal, estadual e municipal, para permitir uma
maior fluência na discussão dos temas
ambientais, disseminação de informações
relacionadas a eles e mecanismos de comunicação
com a sociedade civil.
-
Elaboração e monitoramento, em conjunto com o
FNMA, do Edital 02/2003 - Construção de Agendas
21 Locais, que incluiu a participação ativa no
processo de capacitação de gestores municipais e
de ONGs, em todos os estados brasileiros, para a
confecção de projetos para o edital. Ao todo
foram cerca de 920 pessoas capacitadas em 25
eventos. No final do processo, em dezembro de
2003, foram aprovados, com financiamento, 64
projetos de todas as regiões brasileiras.
-
Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21
e Sustentabilidade com o objetivo de contribuir
para a discussão sobre os caminhos do
desenvolvimento sustentável no País. São seis os
Cadernos publicados até o presente: Agenda 21 e
a Sustentabilidade das Cidades; Agenda 21: Um
Novo Modelo de Civilização; Uma Nova Agenda para
a Amazônia; Mata Atlântica o Futuro é Agora;
Agenda 21 e o Setor Mineral; Agenda 21, o
Semi-Árido e a Luta contra a Desertificação.
-
Publicação de mil exemplares da segunda edição
da Agenda 21 Brasileira: Ações Prioritárias e
Resultado da Consulta Nacional, contendo
apresentação da Ministra Marina Silva e a nova
composição da CPDS.
Ainda,
foram efetivadas parcerias e convênios com o
Ministério da Educação, Ministério da Saúde,
Ministério das Cidades, Ministério da Cultura,
Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério
da Integração Nacional, Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e
Energia; Fórum Brasileiro das ONGs para o Meio
Ambiente e o Desenvolvimento; CONFEA/CREA, Caixa
Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do
Nordeste e prefeituras brasileiras.
Site do Ministério do Meio Ambiente |