Dívida pública recua em janeiro, mas perfil piora

- R$ 1,457 trilhão -

 

EDUARDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O resgate de títulos federais no início do ano diminuiu o estoque total da dívida pública em 2,65% em janeiro, caindo para R$ 1,457 trilhão, ante R$ 1,497 trilhão registrado no fechamento do ano passado.
Mesmo com resgate líquido no mês, as emissões do Tesouro Federal em janeiro superaram a média que vinha sendo praticada no fim do ano passado e, de olho na boa remuneração dos juros reais mais altos do mundo, a participação dos investidores estrangeiros no total da dívida voltou a bater recorde.
No total, o Tesouro resgatou R$ 102,2 bilhões em papéis no mês passado, enquanto as novas emissões chegaram a R$ 45,66 bilhões. Segundo o coordenador-geral de operações da Dívida, Fernando Garrido, o resgate elevado em janeiro já estava previsto porque boa parte dos títulos de remuneração prefixada tem vencimento no início do ano.
Com isso, a participação de títulos com esse perfil (custo menor e prazo maior) no estoque da dívida caiu de 32,20% para 28,23%, abaixo da meta estipulada pelo governo para 2010, que prevê um patamar entre 31% e 37%. Da mesma forma, o percentual de papéis atrelados à Selic subiu para 35,48%, acima do limite de 34% planejados para o ano.
"A gente espera que ao longo do ano haja uma reversão desses indicadores", disse Garrido. "Nos demais meses, teremos emissões líquidas de prefixados, até mesmo porque em fevereiro e março não há vencimentos desses papéis."
Apesar do maior movimento de lançamento de títulos no mercado desde agosto, quando as emissões foram de R$ 66,06 bilhões, o coordenador afirmou que o governo não referendou os juros pedidos pelo mercado, a exemplo do que o secretário do Tesouro, Arno Augustin, havia declarado no mês passado.
Segundo Garrido, 69% dos novos papéis negociados em janeiro eram prefixados ou remunerados pela inflação, enquanto apenas 30,9% estariam atrelados à Selic. O custo médio de administração da dívida ficou estável em 10,69% ao ano. "Juros altos ou baixos dependem da visão de cada investidor. O Tesouro age de acordo com seu planejamento", disse.
 

Folha - 23 de fevereiro de 2010

 

 

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