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Brasil é líder total em
desmatamento, mostra novo estudo
Trabalho um dos primeiros a estimar total derrubado nesse tipo de
floresta; perda, foi equivalente a um Estado de São Paulo no período
As florestas tropicais do mundo todo encolheram o equivalente a mais de
um Estado de São Paulo entre 2000 e 2005. E quase metade dessa
destruição aconteceu onde mais? - no Brasil.
Os dados são de um estudo americano publicado na edição de hoje da
revista "PNAS" . Eles mostram que, nesses cinco anos, o pais foi campeão
de área absoluta desmatada e de velocidade de devastação.
A análise, justiça seja feita, não capturou todo o período no qual o
desmatamento esteve em queda no pais (entre julho de 2004 e agosto de
2002).
Mesmo assim, com 34% de perda na Amazônia em relação ao total de
floresta que havia em pé no ano 2000, o país ganhou até da Indonésia
-dona da indústria madeireira mais predatória do mundo. Na Africa onde a
pressão do agro-negócio industrial ainda não chegou, a taxa foi de 0,8%.
O estudo, liderado por Mathew Hansen, da Universidade do Estado de
Dakota do Sul, contabilizou 272 mil quilômetros quadrados de florestas
perdidas na América Latina, na África e no Sudeste Asiático.
A fatia do leão coube ao Arco do Desmatamento brasileiro, em especial
Mato Grosso. Nesta área, o Brasil responde por 47,8% de toda a derrubada
de florestas tropicais, quase quatro vezes mais do que o segundo
desmatador, a Indonésia, que tem 12,8% do total , dizem os
pesquisadores.
Apesar de sistemas de monitoramento do desmatamento não serem novidade
nenhuma para um pais como o Brasil, o novo trabalho é um dos primeiros a
estipular a área desmatada nesse bioma no mundo todo.
Esse tipo de monitoramento é crucial numa época em que o mundo reconhece
a importância do desmatamento como fonte de gases-estufa e que países
tropicais pleiteiam receber dinheiro na forma de créditos de carbono por
controlá-lo.
"Muitos países não têm sistemas como o do Brasil, então a abordagem pode
ser útil na capacitação para monitorar florestas , disse à Folha Ruth
DeFries, da Universidade de Maryland, co-autora do estudo.
DePries e colegas desenvolveram uma metodologia que combina imagens dos
satélites Moclis (mais rápidos) e LandsatXmais preciso). Em vez de olhar
imagem por imagem de pais por pais, o grupo pegou urna amostra limitada
de imagens e extrapolou o desmatamento para regiões vizinhas.
"E uma abordagem estatística diz Carlos Souza .1±., do Imazon (Instituto
do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que já trabalhou com DeFries.
Segundo ele, a correlação encontrada pelo grupo foi "muito boa . Ou
seja, a noticia é muito ruim.
(CLAUDIO ANGELO)
- publicado na Folha 1 de julho de 2008 - pg. A13
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