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A dívida liquida do setor público ultrapassou a casa do R$ 1 trilhão em dezembro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. No final do ano passado, a soma do endividamento do governo federal, de Estados, municípios e empresas estatais estava em R$ 1,002 trilhão, o equivalente a 51,65% do PIB (Produto Interno Bruto). Cerca de 66% desse valor corresponde a compromissos do governo federal. Os Estados são responsáveis por outros 30%, e o restante está distribuído entre prefeituras e estatais. Ao longo de 2005, a dívida pública teve um crescimento de R$ 45,488 bilhões. Ainda assim, quando comparada com o tamanho da economia brasileira, ela se manteve praticamente estável: em dezembro de 2004, o endividamento representava 51,67% do PIB (Produto Interno Bruto). A proporção entre dívida e PIB é um dos indicadores da capacidade de um pais em continuar pagando em dia seus compromissos. A estabilidade dessa proporção no ano passado foi comemorada pelo BC. "Uma relação dívida/PIB estável é um indicador fundamental para o crescimento da economia, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao divulgar os dados. A dívida cresce sempre que o governo gasta mais do que arrecada. No Brasil, a principal fonte de gastos está nos juros: no ano passado, o setor público gastou R$ 157,145 bilhões em encargos financeiros -8,13% do PIB. Boa parte desse dinheiro é destinada àqueles - bancos e fundos de investimento, principalmente - que investem em títulos públicos emitidos pelo governo federal. Em 2004, esses gastos haviam sido de R$ 128,256 bilhões. O aumento ocorrido de lá para cá reflete a alta dos juros promovida pelo Banco Central no ano passado. Folha - 31/01/2006 |