A história do bairro Jardim Independência


As terras onde a Escola Maria Alice se insere são terras de outras épocas, terras do tempo de fazendeiros imigrantes portugueses, italianos e espanhóis, terras que formavam as duas grandes fazendas no distrito de Barão Geraldo, a Fazenda Rio das Pedras e a Fazenda Santa Genebra, assim conhecidas hoje.

Sr. João Batista Antoniolli e sua esposa Carolina Pasquini, ele, nascido em Veneza, Itália, em 1831, que vieram da Fazenda Chapadão e adquiriram um sítio de 18 alqueires em Betel. lnicialmente, o personagem de nossa história, Sr. Antoniolli e outros colonos livres, de posse de suas terras, cultivaram o café e a cana-de-açúcar substituindo depois pelo cultivo de legumes, frutas e hortaliças, e passaram a criar suínos. Abasteciam o mercado de Campinas com seus produtos, vendiam a varejo com suas carroças, de casa em casa em diversos pontos da cidade.

A geração seguinte, seus filhos Ângelo e Antônio, compraram as glebas de terra desmembradas da Fazenda Rio das Pedras (aquelas do início do século XX) e nela se instalaram as denominando de Sítio Lote, ali plantavam legumes, frutas e criavam porcos.

No intuito de fazer um híbrido com o abacate, técnicos americanos do Instituto Agronômico de Campinas, monitoraram o plantio de quatro pés diferentes da planta fêmea, e um pé macho no meio, no Sitio Lote. Como o resultado se mostrou negativo no tempo esperado pela equipe, desistiram do experimento, porém, algum tempo depois, nasceram três pés de abacate de excepcional qualidade, chegando a pesar 2 quilos, que foi replantado pelos Antoniolli, sendo a base da riqueza dos mesmos que além do abacate também cultivaram com êxito o limão, o mamão e o cará.

Especificamente, nas terras onde os Antoniolli plantaram seus abacateiros é que se instalou mais um novo bairro de Barão Geraldo, o Jardim Independência. Faixa de terra delimitada pelos bairros Jardim América, Burato, convento das freiras Carmelitas, parte da estrada Campinas/Paulínia e fundos da moradia dos estudantes da Unicamp.


A terra do jardim Independência foi adquirida pela Cooperativa dos Militares do Exército, Aeronáutica e Marinha, para a construção de casas para alojar as famílias dos militares menos graduados que ocupavam residências na Fazenda Santa Elisa, do exército. O número de inscritos não foi suficiente para o preenchimento de todas as casas planejadas para a gleba de terra, então, a cooperativa abriu inscrições para funcionários do Banco do Brasil, da Petrobrás e Rhodia, ficando o bairro, que seria unicamente militar um bairro misto entre civis e militares (depoimento dos Srs. Eraldo Martins dos Santos e Arthur de Oliveira Soares, ambos militares da reserva, vizinhos da Escola Estadual Maria Alice Colevati Rodrigues).

"As primeiras casas começaram ser entregues no final de 1979, e a maioria de seus proprietários já se mudou, preenchendo todas as casas populares características da vila". (depoimento do sr. Laudelino dos Santos, ex-funcionário da Rhodia, vizinho da escola)

A professora Solange B. Gomes, do quadro docente da escola em questão, se mudou em janeiro de 1980. Consta em seus depoimentos que alguns proprietários nem chegaram a se mudar, venderam seus imóveis à terceiros e que a maioria já não mora mais no bairro.

Segundo Antonio José Mateus, primeiro presidente fundador da Sociedade de Bairro do Jardim América, a abertura das ruas finais que fazem limite com os abacateiros restantes no bairro Jardim Independência aconteceu por influência sua com os Antoniolli, de quem ele era amigo particular, que cederam uma faixa de abacateiros para a abertura das citadas ruas.

A vila só possui estas casas, não possui sequer uma casa particular, a gleba toda foi utilizada, unicamente, para a construção das casas da cooperativa, praças e a igreja. Portanto, o Jardim Independência nasceu num processo de urbanização planejado e com toda infra-estrutura.

O comércio existente neste bairro é o comércio, por nós chamado, de comércio de garagem, isto é, aquele em que a pessoa utiliza a garagem de sua casa ou a própria casa para fazê-lo. Neste sentido, o comércio existente é pequeno, sem relevância havendo um bar, um consultório odontológico, uma loja de instrumentos musicais e aulas, um serviço especializado chamado SOMA: Serviço de Orientação Multidisciplinar e Assessoria - com especialidades como psicopedagogia e fonoaudiologia.

Há no bairro duas igrejas, uma Batista, cujo terreno doado, foi parte da chácara do bairro vizinho, Burato e uma igreja Católica situada ao lado da Escola. O bairro é servido por duas linhas de ônibus, Jardim Independência e Jardim América e é cortado pela linha do bairro Real Parque que é utilizado por parte da comunidade escolar e do bairro.

O processo de urbanização que vinha acontecendo desde o inicio do século XX nesta região contribuiu para as mudanças do meio físico e biológico do bairro, portanto a instalação da Escola, aqui estudada, aconteceu após essas mudanças físicas e biológicas. Essa paisagem existente hoje do entorno da Escola é estritamente urbana, nada restou de sua vegetação natural conforme podemos perceber pela própria história, seu meio físico vem sendo modificado desde que aqui era uma sesmaria, por volta de 1799, e foi se modificando mais desde o início do século XX, conforme já citado, foi com a Fazenda Rio das Pedras se transformando em terras agrícolas e continuou com os Antoniolli.

O Jardim Independência e todos os outros bairros de Barão Geraldo, não possuem postos de saúde ou ambulatórios, a população é atendida por um único posto de saúde localizado no bairro Santa Genebra lI, próximo ao centro de Barão Geraldo. Os casos graves são encaminhados para o Hospital das Clínicas da Unicamp. Há em Barão, os hospitais Centro Médico e o Hospital Boldrini, ambos localizados no bairro Cidade Universitária II, sendo o primeiro com atendimento particular e conveniados, o segundo é público para tratamento de crianças com câncer, o Hospital Centro de Oncologia, localizado no centro de Barão, para tratamento de químio e radioterapia e o Hospital das Clínicas da Unicamp, que é público localizado no campus da Universidade, atende emergências, consultas agendadas às pessoas do distrito, da cidade de Campinas e de todo o Brasil.

Outros serviços públicos como correios, posto policial, agências bancárias, o comércio maior (shopping, galerias de lojas, lojas para acabamento fino de construções, bares, choperias e restaurantes, lojas de eletro-domésticos, rede de fast-food, redes de super-mercados, floriculturas, livrarias, farmácias), as escolas particulares, as escolas de informática, de idiomas e de arte, se localizam na sua maioria no centro de Barão ou nas avenidas principais da Cidade Universitária
Barão Geraldo, conta com uma única casa teatral, por iniciativa da proprietária do Centro de Comunicação e Artes ln Touch, Rita Ribeiro.

 

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