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Nossas Escolas

 

A Prefeitura de Campinas vai propor unia série de mudanças curriculares no ensino fundamental da rede municipal de ensino para tentar conter o alto índice de evasão nas escolas.

Levantamento feito pela Secretaria Municipal da Educação apontou que 8,2% (3.320) dos 40.217 alunos matriculados no ensino fundamental, em 2001, não concluíram o ano letivo.

Os últimos dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão vinculado ao Ministério da Educação, divulgados em 2000, mostram que a porcentagem de evasões no Estado de São Paulo é de 3,4% (4,7 pontos percentuais menos que em Campinas).

A maior ocorrência de evasões na cidade foi registrada no ensino supletivo 2 (correspondente ao período de 5ª até a 8ª série). Dos 11.291 alunos matriculados no início do ano passado, 20,7% (2.337) abandonaram o estudo.

No ensino fundamental regular, o número de evasões foi de 3,4% (983 dos 28.926 alunos matriculados). As maiores incidências foram registradas na passagem daí para a 2ª série (4%) e da 5ª para a 6ª série (4,5%).

Para a secretaria de educação de Campinas, Corinta Maria Grisolia Geraldi, a evasão no início do ensino fundamental acontece, principalmente, pelo impacto causado pela escola na linguagem e na cultura dos novos alunos.

Da 5ª para a 6ª série, a evasão é motivada pela ambição dos alunos de chegar ao mercado de trabalho e ter condições de alcançar os desejos de consumo.

"No momento compensa mais trabalhar. Valeu apenas deixar os estudos. Estou ganhando R$ 240 por mês, vendendo óculos" , disse o adolescente David Santos de Oliveira, 15, que trocou a 6ª série por um emprego no mercado informal há três meses.

"A escola foi preparada para poucos. O modelo utilizado não é o adequado para os alunos que a sociedade vem construindo" , afirmou a secretária.

As propostas de mudanças curriculares estão sendo apresentadas e discutidas no 3º Congresso Municipal de Educação, que começou ontem e termina na próxima sexta-feira. Educadores, professores, funcionários, pais e alunos da rede municipal de ensino participam do encontro.

Dentre as mudanças, estão a unificação do ensino fundamental (sem vinculação com a idade), o acréscimo na rede de componentes curriculares integradores como sociologia, filosofla e o Eret (Educação de Relações Econômicas e de Tecnologia), ampliação da opção de espanhol e a implantação do supletivo modular (25 dias letivos de Língua Portuguesa e Matemática, 17 dias de História, Geografia e Ciências e 8 dias de Inglês, no semestre).

"A preocupação não deve ficar restrita só ao currículo. A discussão tem de ser mais ampla , disse Maria Rosa Cavalheiro Marafon, doutora em Educação da PUCCampinas.

DIOGO PINHEIRO - Folha Campinas - 05/11/02

 

 

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