Abismo separa redes pública e privada

Dos 35 países participantes do Pisa, Brasil foi o que apresentou a maior diferença
entre os ensinos na prova de Ciências


Para a Diretora de Educação da USP, exame revela "calamidade" em escolas públicas.

A diretora da Faculdade de Educação da USP, Sonia Penin, afirma que o Pisa revela que a educação brasileira chegou à "calarnidade . Leia a entrevista:

Folha- O que o Pisa mostra?

Sonia Penin - A calamidade da escola pública brasileira.

Folha - A educação tem piorado?

Sonia Penin - Não dá para comparar a educação de hoje com a de antigamente. A escola pública brasileira dos anos 50 era só de uma camada muito restrita da elite brasileira. Depois, iniciou um movimento para atender todas as camadas socioeconômicas e culturais. Ainda não completou esse movimento, sobretudo no ensino médio, mas, de qualquer forma, houve um acolhimento significativo. O que se percebe é que a escola está com problemas para atender esta diversidade maior.

Folha - Quais são os problemas mais comuns e graves?

Sonia Penin - Tem um problema que é objetivo; tempo de estudo, tempo de exposição à aprendizagem. Apesar da diferenciação muito grande de escola para escola, o tempo letivo de 4 horas, 5horas nas melhores escolas, é muito pouco para a gente fazer páreo para estes países que estão frente. Além disso, ainda ocorre que, nessas quatro horas, eles não têm aula, Por ausência do próprio aluno, por ausência do professor ou até por não existir professor.

Folha - É o maior problema?

Sonia Penin - Esse é o fator mais claro. Depois, falta valorização e capacitação dos professores. A questão salarial é fundamental, mas não é só isso. Hoje precisa de capacitação dentro da escola para professores, diretores e todos os envolvidos.

Folha -E a Infra-estrutura?

Sonia Penin -Os equipamentos são importantes, mas hoje muitas escolas estão equipadas e não vemos os reflexos. Há muitos laboratórios de ciências que não são usados. O que falta é o uso dos recursos, ou seja, professores preparados.

Folha - Qual a responsabilidade dos pais?

Sonia Penin -Muito grande. Pesquisas mostram que escolas com participação dos pais tem melhores resultados. Nos anos 50, quando só a elite estudava, os pais eram alfabetizados, tinham livros em casa. Se um filho não ia bem, recebia reforço escolar no tempo livre. Hoje muitos pais não têm conhecimento para ajudar os filhos.

Folha 05/12/07

 

 

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