Cai o número de formados na rede pública

Folha de São Paulo – 30 de dezembro de 2007 – C1 - FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL
 

Resultado revela perda na eficiência das instituições, que são financiadas com verba pública; evasão é tida como uma das causas. 

O número de alunos que entra nas universidades públicas brasileiras cresce desde a década passada. Nos dois últimos anos, porém, a quantidade de estudantes formados nessa rede caiu quase 10%, apontam dados do Ministério da Educação.

O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos. Neste ano, somente a rede federal terá R$ 1,7 bilhão para custeio, três vezes mais do que há quatro anos, segundo o MEC.

Pesquisadores afirmam que a queda ocorre devido ao aumento da evasão (estudantes que desistem dos cursos). Outro ponto é o aumento do tempo que os estudantes têm levado para se formar.

Para esses analista, diversos motivos cruzam os dois problemas, entre eles a necessidade de o aluno começar a trabalhar e o descontentamento com os cursos. Tabulação feita pela Folha com base nos dados do Censo da Educação Superior, divulgado neste mês, mostra que 19.177 estudantes a menos se formaram nas instituições públicas em 2006 do que em 2004 (queda de 9,5%).

A perda de mais de 19 mil alunos representa quase o dobro de vagas oferecidas pela USP no vestibular para 2008.

Também utilizando dados do censo, o professor Oscar Hipólito (ex-diretor do Instituto de Física USP-São Carlos e consultor do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia) calculou a evasão na rede pública, a pedido da Folha. Segundo seus cálculos, em 2006, apenas 43% dos estudantes concluíram seus cursos no tempo esperado.

“A queda no número de formandos é preocupante. Representa prejuízo financeiro para o Estado, além de perdas acadêmicas e sociais”, afirmou. 

Douglas Kawaguchi. 26, vai entrar em 2008 já sob pressão. No oitavo ano de publicidade na USP, ele diz que será jubilado caso não se forme até dezembro. O tempo mínimo do curso é de quatro anos.

Para explicar a demora, Douglas diz que cursou duas vezes mais disciplinas optativas do que o necessário. “Estava indeciso para que área ia.” Além disso, passou um ano em intercâmbio na França.

Depois, completa “Tem um pouco de relaxo, também. Como não pagamos mensalidade, ficamos menos pressionados a terminar rapidamente. Vejo que meus colegas que estão em faculdade particular se esforçam mais para terminar rápido o curso.

Dos 20 alunos que entraram com ele, três acabaram no tempo mínimo.

Em 2006, a USP começou a discutir novos critérios de jubilamento para “promover o aumento de vagas” e “zelar pela justa ocupação das mesmas”.

O processo, porém, parou com a invasão da reitoria, em maio. Entre as exigências dos estudantes havia a não adoção dessas mudanças. (FT)


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Abismo separa redes pública e privada - Folha 05/12/07


Lembrando:
Atendendo solicitações, retiramos a crítica aos alunos barulhentos que estudam gratuitamente na Unicamp e a referência a quem paga a conta.
 

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