Estudo analisa o aumento da mortalidade infantil em Campinas e Barão Geraldo
Estudo
realizado
pelo Centro
Colaborador
em Análise
de Situação
de Saúde (CCAS)
do
Departamento
de Medicina
Preventiva e
Social da
Faculdade de
Ciências
Médicas (FCM)
da Unicamp
aponta um
aumento de
32,6% na
mortalidade
infantil em
Campinas
entre 2008 e
2009. Em
2008, o
índice era
de 8,5
óbitos para
cada mil
crianças
nascidas
vivas e, em
2009,
aumentou
para 11,3. A
pesquisa
mapeou os
períodos
neonatais
precoce,
tardio e
pós-neonatal
e
identificou
um aumento
de 54% na
mortalidade
infantil nos
períodos
neonatal
tardio
(entre o
sétimo e
vigésimo
oitavo dia
de vida) e
pós-neonatal
(do vigésimo
oitavo dia
de vida até
um ano). No
período
neonatal
precoce, o
aumento
entre esses
dois anos
foi de
apenas
13,4%. Em
relação à
média desse
índice entre
2000 e 2007,
o valor de
2009 foi até
menor. Os
dados
coletados
fazem parte
do
Boletim nº
45
publicado
pelo CCAS em
parceria com
a
Secretaria
de Saúde de
Campinas.
Estes dados permitem refutar a hipótese de que o aumento da mortalidade infantil entre 2008 e 2009 estaria concentrado na primeira semana de vida. A análise segundo o peso ao nascer revelou que o aumento não resultou da maior proporção de recém-nascidos de muito baixo peso. “Observamos que a mortalidade no período neonatal precoce não teve grande impacto no aumento da mortalidade infantil. O problema está na neonatal tardia e na pós-neonatal e as principais causas de morte verificadas nesses períodos foram afecções perinatais, anomalias congênitas e causas externas, dentre estas últimas as mortes por acidente de trânsito e por aspiração”, explicou a médica epidemiologista e coordenadora da CCAS, Marilisa Berti de Azevedo Barros.
As afecções perinatais e as anomalias congênitas afetam as crianças logo após o nascimento, mas cuidados intensivos e adequados propiciados por avanços tecnológicos podem levar ao aumento da sobrevida, porém, algumas dessas crianças acabam morrendo posteriormente. Os acidentes de trânsito e as mortes por aspiração remetem à questão dos cuidados que as crianças estão recebendo. A mortalidade em Campinas começou a aumentar em maio de 2009, sendo que a maior parte das crianças que vieram a falecer não chegaram a sair do hospital após o nascimento. “É preciso avaliar as condições dos hospitais da rede de Campinas no sentido de verificar condições que pudessem ter contribuído para esse aumento, para identificar, corrigir e evitar que aumentos da mortalidade infantil voltem a acontecer”, comentou Marilisa.
Outros dados apontados pelo Boletim quanto à mortalidade infantil dizem respeito ao nível socioeconômico e região de Campinas. No distrito Leste, que é o de melhor nível socioeconômico de Campinas, a mortalidade infantil continuou caindo em 2009. Nos outros distritos ocorreu um aumento, mas o que apresentou maior incremento foi o distrito Noroeste que concentra um percentual elevado da população socialmente carente de Campinas. Em outra análise, a cidade foi divida em três áreas de acordo com o nível socioeconômico dos chefes de domicílio. A tendência da mortalidade infantil foi decrescente nas áreas de melhor nível socioeconômico. O aumento que aconteceu em 2009 ficou restrito ao setor mais carente da população que depende mais do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Este é um tema sensível. Nós gostaríamos de ver as taxas de mortalidade, em especial a infantil, sempre declinando. Vale lembrar que nenhum país do mundo conseguiu “zerar” a taxa de mortalidade infantil. As taxas mais baixas oscilam de 2,6 a 7 por mil nascimentos vivos. Há uma tendência equivocada de alguns municípios pretenderem “zerar” a sua mortalidade infantil. O menor número de nascimentos que ocorre em municípios de pequeno porte, bem como a “migração” de óbitos para outros municípios na busca de atenção médica podem gerar essa expectativa. Precisamos ter por meta atingir as menores taxas possíveis. A importância de monitorar os indicadores de saúde é justamente propiciar informação para as intervenções onde e quando for preciso com o propósito de melhorar cada vez mais o atendimento da população”, concluiu Marilisa.
Do Jornal da
Unicamp
Texto e
fotos:
Edimilson
Montalti
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