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Henrique Beirangê
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
cidades@rac.com.br
Capim atravessando o caminho em diversos lugares, embalagens de
preservativos no chão, recados de pessoas oferecendo serviço de
sexo e lixo em diversos pontos da trilha. Esse foi o cenário
encontrado, ontem, pela reportagem do Correio, após caminhar por
cerca de 40 minutos em uma das trilhas do Parque Linear do
Ribeirão das Pedras, no bairro Santa Genebra. O parque foi
premiado esta semana pelos ministérios do Meio Ambiente e das
Cidades como o melhor plano brasileiro de gestão ambiental
urbana.
O parque tem nove quilômetros de extensão e liga o Alto do
Taquaral ao Córrego Anhumas. Ele foi dividido em 22 trechos e
apenas em dois deles o projeto premiado foi implementado.
Frequentadores do parque reclamam da insegurança e do abandono.
A professora Sandra Regina e o marido, Eduardo Sterpeloni, que
caminham no local cerca de três vezes por semana, se queixam do
descuido por parte da Prefeitura. “Houve benefício com as obras,
mas a manutenção deixa muito a desejar”, afirmou Sandra.
O Parque D. Pedro Shopping administrou o trecho até 2008,
cumprindo a exigência de manutenção imposta pelo Ministério
Público através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O
termo foi assinado como medida de compensação ambiental pela
construção do empreendimento. Com o fim da vigência do TAC, o
trecho passou a ser responsabilidade da Prefeitura.
A moradora do bairro, a arquiteta e pós-graduanda em gestão
ambiental, Lígia Lisatchok, diz que faltam iniciativas por parte
da Prefeitura estimulando o uso d o parque. “Penso que um
projeto de caminhada ecológica talvez fosse uma boa idéia”,
disse a arquiteta, que elabora um estudo sobre a degradação do
local.
O Diretor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da
Prefeitura, Ronaldo de Souza, afirmou que uma equipe de capina
vai ao local com frequência mínima de 20 dias durante o Verão e
de aproximadamente 40 dias nos períodos de estiagem. No dia em
que a reportagem percorreu a trilha, encontrou funcionários
podando árvores e cortando grama. Questionado, um deles disse
que há cerca de quatro meses não fazia manutenção no local.
Quanto à segurança, o diretor disse que seu departamento não é
responsável por policiamento.
Projeto foi implantado por pressão do Ministério Público
O projeto do Parque Linear do Ribeirão das Pedras só começou a
ser implantado por pressão do Ministério Público, que firmou
dois termos de ajustamento de conduta (TAC), para a recomposição
de toda a bacia do ribeirão no trecho situado entre o Alto
Taquaral e a Rodovia D. Pedro I. Os TACs foram ass inados por
Vera Oliveira de Souza, proprietária da área e depois pelo
Shopping Parque D. Pedro, sucessor de Vera. O termo continua sob
fiscalização do Ministério Público porque resta uma obrigação,
que é o projeto de arborização para interligar a mata Boi Falô,
na Chácara Primavera, a dois maciços florestais. Uma erosão
surgiu nessa área e os responsáveis foram notificados pelo
promotor José Roberto Carvalho Albejante para adotar as medidas
necessárias. O promotor notificou a Prefeitura a fazer o
desassoreamento da lagoa ao lado do shopping. Os TACs previram
vários investimentos na recomposição da bacia do ribeirão.
(Maria Teresa Costa/Da Agência Anhanguera)
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