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Como é sabido, o regime militar chileno foi politicamente tirânico e socialmente injusto, mas se revelou competente na gestão da economia, que apresentou excelente desempenho na fase final do período autoritário. Com o advento da redemocratização, temia-se que qualquer um dos dois grandes partidos do país, o Democrata Cristão, de centro, e o Socialista, de esquerda, ao chegar ao poder, enveredasse por uma política econômica populista e irresponsável. Foi então que o dirigentes de ambos os partidos tiveram a Lucidez de fazer a chamada "concertación", um pacto que consistia basicamente em sustentar o equilíbrio macroeconômico, com mudanças apenas pontuais no modelo seguido pelos militares. Acordo fielmente cumprido pelos governos que se seguiram ao regime militar -tanto pelos democrata-cristãos como pelos socialistas, ora no poder. Importante lembrar que o Partido Socialista chileno é o mesmo de Salvador Allende, cujos herdeiros souberam reformular o programa partidário a fim de ajustá-lo ao mundo de hoje. Como resultado da clarividência dos políticos chilenos, aquele pais é um modelo de estabilidade, uma grata exceção no cenário conturbado da América do Sul, ao viver há anos em lua-de-mel com a trindade virtuosa: elevado crescimento econômico, inflação baixa e sistemática redução da pobreza.
Jose Jefferson Carpinteiro Péres, 73, advogado, é senador da República pelo PDT/AM |