O Caso COMDEMA
- novembro 2008 -

 
 

A Presidente do Comdema de Campinas (Conselho Municipal de Meio Ambiente), Dra. Mayla Yara Porto, publicou no Diário Oficial do Município, a Moção Cautelar e de Repúdio 01/08, devido às atitudes da Prefeitura, contrárias à legislação ambiental da cidade. O Comdema tem poder deliberativo.

A Presidente do Comdema também exercia a função de Diretora da Secretaria de Meio Ambiente na Prefeitura. Foi exonerada do cargo na semana seguinte da publicação, sob alegação outra, "que não tinha nada a ver com a Moção de Repúdio 01/08".
O Prefeito solicitou a realização de uma reunião extraordinária do Conselho, determinando que os Secretários de Assuntos Jurídicos,  de Urbanismo, de Planejamento e o Presidente da Ciatec comparecessem a esta reunião para prestar esclarecimentos aos conselheiros do Comdema sobre o assunto. Esta reunião ocorreu na segunda feira (17/11), mas
o que eles queriam era um documento retratando a Moção Cautelar e de Repúdio. A pretensão não foi atendida pelos conselheiros.

A Prefeitura, então, empenhada em destituir a presidente do Comdema, forçou outra reunião extraordinária para o dia 27/11/2008. Nesta reunião compareceram 4 secretários e vários conselheiros que trabalham na Prefeitura, mas que raramente comparecem nas reuniões. Houve uma votação para a permanência ou não da presidente no cargo, mas apenas 48% dos  conselheiros, sob o comando do Secretário Lagos, votaram a favor da saída da presidente. Dentre eles estava o Sr. Mamizuka, presidente da Mata Santa Genebra e favorável ao loteamento do seu entorno.
A presidente aceitou votação e afirmou que, se a maioria votasse por sua saída, ela sairia. Para a saída da Presidente, segundo o Decreto  13.874, Artigo 9º, parágrafo 2º, seriam necessários os votos de dois terços dos conselheiros presentes. A Prefeitura perdeu e a Dra. Mayra Yara Porto, continua na presidência do Comdema. Foi muito aplaudida pelos presentes.

Quem esteve na reunião, notou claramente a diferença de cultura entre os conselheiros campineiros, que procuravam defender a cidade e os conselheiros representantes dos governistas mato-grossenses, preocupados em destituir a presidente. A julgar pela impertinência desses, deixam muito a desejar em conhecimento da cidade e cidadania participativa. Vários Conselheiros, inclusive funcionários da Prefeitura, disseram que estavam se sentindo mal diante da persistência destas pessoas em tumultuar a reunião para destituir a presidente.

Explicações "extra-oficiais":
Segundo informações na boca do povo, os empresários loteadores do CIATEC, colaboraram na campanha da última eleição, sob garantia dos governistas mato-grossenses de que conseguiriam a aprovação dos loteamentos.
Conseguiram em junho 2008, a aprovação na Câmara, onde a maioria é submissa ao grupo governista, mas foram barrados pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMDEMA) e pelo vereador Valdir Terrazan (PSDB), que conseguiu liminar na justiça que determinou à Prefeitura de Campinas que suspenda a concessão de alvará de execução para áreas residenciais no CIATEC.
No dia 26/11/08 o Ministério Público Federal entrou com ação proibindo novos empreendimentos até 10Km da mata Sta. Genebra e isto inclui a área do CIATEC.
Espera-se muitas e muitas ações judiciais desesperadas e muitas apelações, além destas interferências no Comdema, pois os empresários estão cobrando o prometido.
Enquanto isto, a população das outras regiões da cidade querem  investimentos em lazer e cultura, mas não têm, então resta ir passear no Shopping D. Pedro, lá na região norte, onde a prefeitura luta ferozmente para aprovar mais e mais investimentos.

Barão em Foco
 

 

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