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FALTA DO
BRAÇO
Braço – Segmento de membro superior que se
estende da espádua ao cotovelo. Assim diz o Aurélio, Esta é uma
definição fria . Não é a isso que eu quero me referir. É ao braço do meu
amor. Braço comum sem nada de extraordinário, sem musculatura à mostra,
nem forte nem fraco demais mas era o braço que eu amava. Minha
convivência com ele, começou ainda juvenil. Meus primeiros contatos
foram quando, pela primeira vez, ele, receoso, sem muita convicção, na
sala escura do cinema, caiu sobre os meus ombros, assim como que sem
querer. Eu, como que querendo e não querendo, deixei-o ficar. Aos
poucos, como que adquirindo mais confiança em si, ele foi tentando
puxar-me mais para perto, e eu, fazendo-me de rogada, resistia quando a
minha vontade era realmente deixa-lo me envolver, mas tinha que
aparentar dificuldade. Foi quando comecei a sentir o seu calor e a
gostar. O tempo passou, a confiança aumentou e ele (o braço), começou a
ajudar-me em outras coisas. Começamos a dançar e ele me levava pelos
salões, segurando-me firme dando-me confiança para rodar, ensaiar
novos passos sem receio e quando a musica era mais suave ele me puxava e
me apertava fazendo-me sentir arrepios e sensações inusitadas. Foi com
ele, o braço, que num abraço tenro, forte porem amável me senti mulher.
Foi ele quem me amparou diversas vezes quando mais precisava. Para
ajudar a levantar-me, subir escada, simplesmente abraça-lo pelo simples
prazer de abraça-lo e sentir o seu calor. Até para, parcialmente,
cobrir-me e evitar que a chuva me encharcasse ele estava sempre
presente. Há coisas impossíveis de se esquecer. Quando depois do amor
ele se estendia, como se fosse o meu travesseiro querido e me dava o
descanso merecido. Todas as noites, mesmo sem que amor se fizesse, ali
estava ele, esticado, pronto, como que dizendo, estou à sua espera,
coloque sua cabeça, quero faze-la dormir em paz. E eu dormia e só depois
do sono intenso é que ele se retirava para acomodar-se melhor. E me
acostumei tanto a esse carinho que hoje fica muito difícil adormecer
sem ele. Quanta falta me faz esse braço, o seu abraço, embora ele seja
só uma pequena parte do corpo humano como diz o Aurélio,
João Pedrinelli
10/00 |