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Para EUA, Brasil age em Doha como 'adolescente'Schwab diz que é preciso colaborar, e não só questionar
A secretária americana do Comércio Exterior, Susan Schwab, afirmou que o Brasil e a Índia estão se comportando nas negociações da Rodada Doha como adolescentes que tiraram carteira de habilitação. Segundo ela, os dois países lutaram para chegar a mesa grande das negociações de liberalização do comércio mundial, mas estão tendo dificuldades para lidar com as obrigações decorrentes desse fato. "Eles estão descobrindo que isso resulta em responsabilidades e, com isso, advêm obrigações. E às vezes é difícil estar na mesa grande da sala pequena onde espera-se que você contribua, e não só questione". Para Schwab, os dois países, que lideram o G20 (grupo que reúne países em desenvolvimento), estão na linha de frente nos pedidos para que os EUA e a União Européia reduzam seus subsídios agrícolas, mas resistem a abrir seus mercados para os bens industriais dos países ricos. Ela afirmou que Brasil e Índia não estão errados em tentar aumentar os seus ganhos nas negociações, mas que não haverá um acordo mundial de comércio caso eles não abram seus mercados. O Itamaraty disse que não iria se pronunciar sobre o assunto. O G20 considera que o corte nos subsídios agrícolas proposto pelos países ricos é muito inferior às reduções nas tarifas industriais dos países menos desenvolvidos. As declarações de Schwab foram feitas no Conselho de Exportação do Presidente. A entidade, formada por executivos de empresas e representantes do Legislativo e do Executivo dos EUA, pediu, em carta enviada anteontem ao presidente George W.Bush, que o governo americano faça tratados bilaterais com os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). Se isso não for feito, dizem, os investidores dos EUA poderão ficar em "significativa desvantagem". Depois que o presidente Bush tornou a retomada de Doha uma de suas prioridades econômicas do final do seu governo, Schwah tem elevado o tom de suas criticas aos lideres das países emergentes nas negociações comerciais. Em outubro, ela escreveu artigo no Financia Times em que disse que Argentina, Brasil1 China, Índia e Africa do Sul, todos membros do G20, devem deixar claro se vão negociar a redução de tarifas de bens agrícolas e industriais dentro dos parâmetros propostos pelos chefes dos grupos negociadores. Antes, em setembro, ela criticou os mesmos países (com exceção da Argentina), dizendo que estão colocando em risco o sucesso de Doha. Segundo ela, um pequena grupo tem o poder de "destruir" as negociações e mencionou os quatro países como entraves para a continuidade da rodada. Folha - 06/12/07 - B16 |