Americanos de cidade em Nova Jersey expulsam 2.000 brasileiros da cidade

Armados de tacos de beisebol e espingardas, queimaram casas e  carros dos brasileiros

Uma nova lei municipal anti-imigração e retaliações de milícias levaram à fuga de cerca de 2.000 brasileiros da cidade de Riverside, no Estado americano de Nova Jersey, a 170 km de Nova York.

Desde 26 de julho, é crime em Biverside alugar imóveis, dar emprego e contratar serviços de imigrantes, com pena de multa e detenção. Associações de defesa de imigrantes contestam na Justiça a eficácia da lei, alegando que municípios e Estados não têm competência para legislar sobre temas federais.

Um projeto de lei do presidente George W. Bush com novas regras para imigração tramita atualmente no Senado americano. A proposta prevê a legalização de clandestinos que estejam no pais há mais de cinco anos, desde que paguem multas e impostos retroativos.

O Jornal Folha ouviu relatos de brasileiros, confirmados pela polícia local, de que casas e carros haviam sido incendiados como intimidação. A milícia xenófoba, armada de tacos de beisebol e espingardas (o porte de armas é legalizado nos EUA), daria prazo de 72 horas para que imigrantes em situação irregular deixassem a cidade. O modelo ufanista de Riverside foi baseado e instruído, segundo moradores contrários à presença de estrangeiros, pelo grupo Minuteman, voluntários armados que patrulham a fronteira com o México.

Com 8.500 habitantes, Riverside é uma das oito localidades nos EUA que aprovaram leis locais para combater o trabalho ilegal de imigrantes.

Dos 4.000 indocumentados, 2.000 são brasileiros. Quase todos deixaram a cidade, de acordo com a prefeitura e com a paróquia local, que celebra missas em português. Os poucos que permaneceram mantêm pequenos comércios, como loja do Boticário, restaurante típico e supermercado de produtos brasileiros.

"Os brasileiros e os latinos são os melhores amigos dos EUA. Amamos a América. Sou parte deste país, disse Susanete Silva, 40, faxineira de Nova Xavantina, há cinco anos nos EUA.

"Invadiram minha casa, jogaram uma bomba de querosene e quebraram meu carro , afirma Rosilei Pereira. 39, também faxineira, há oito anos em Biverside. "Ganho US$ 3.000 (R$ 6.400) por mês , conta.

A nova lei de Biverside proíbe o espanhol e o português em anúncios, prevê multa de US$ 1.000 para proprietários que aluguem imóveis a estrangeiros e suspensão da licença de funcionamento para comerciantes que contratem imigrantes. Prisão é prevista em caso de reincidência.

Clima

Riverside é o típico povoado de interior dos EUA. Com duas ruas principais que se cruzam, a cidade-dormitório vive do comércio local e de serviços. Não há indústria, e a metrópole mais próxima é Filadélfia, a 25 km. As casas ostentam bandeiras americanas. Só há duas agências bancárias.

Natural de Ipatinga (MG), Wander Alves, 33, entrou nos EUA pela fronteira mexicana. Disse ter pago US$ 10,5 mil para entrar há três anos por intermédio de "coiotes . Ontem foi seu último dia de trabalho como açougueiro no "Victor's Market , supermercado especializado em marcas brasileiras. Sem falar inglês, Alves diz trabalhar 12 horas diárias, sete dias por semana para ganhar US$ 3.000 mensais. "Vou para Delran (cidade vizinha). Não vejo a hora de voltar ao Brasil.

Outro mineiro, o carpinteiro José Carlos Sousa, 32, vai para Flórida. "A única coisa que posso fazer é sair daqui. Não falo inglês, não fico sabendo de nada , diz. Antes de ganhar US$ 2.500 por mês nos EUA, recebia um salário mínimo no Brasil.

Da Folha, 21/08/06

 

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