Brasileiros presos na imigração da Inglaterra


Relatório da Inspetoria de Prisões do Reino Unido sobre as condições dos centros de detenção provisória de imigrantes revelou que o problema de brasileiros barrados no país é crônico e condenou o tratamento dado aos estrangeiros nesses locais.

O órgão fez inspeções em centros no aeroporto de Heathrow, porta de entrada da maioria dos deportados, e na região de Calais, cidade portuária francesa no canal da Mancha. São pequenas salas onde os viajantes barrados aguardam até serem despachados de volta ao país de origem.

Segundo o relatório, em alguns centros os imigrantes são tratados como "pacotes , não como gente, e um deles, em Calais, é apelidado pelos próprios funcionários de canil, dados o tamanho e a aspereza das instalações.

Embora elogie a gentileza dos funcionários da imigração em alguns dos centros de Heathrow (são cinco no total), o relatório diz que em certos casos é usada força.

- desnecessária para convencer deportados que relutam em embarcar de volta e denuncia que os centros do aeroporto não são adaptados para pernoites (embora detidos cheguem a ficar 36 horas ali) nem para receber adequadamente famílias com crianças.

Observamos detidos pedindo, sem obter, orientação jurídica e informações básicas sobre a razão de sua detenção e remoção , relata a inspetora-chefe Anne Owers.

O pior que emerge dessas inspeções é o aspecto desumano do processo de remoção da imigração. Alguns detentos foram tratados pelas autoridades como se fossem pacotes, não pessoas , diz. Em Calais, onde há três centros, Owers afirma que as acomodações no terminal de cargas de Coquelles eram desrespeitosas e totalmente inadequadas, e as condições de higiene eram insuficientes para atender detentos que viajaram em traseiras de caminhões .

Brasil na frente

A Folha de São Paulo teve acesso ao relatório da inspetoria, que foi encaminhado anteontem ao Ministério do Interior, com 49 recomendações. Ele mostra que os brasileiros lideram com folga impressionante o número de barrados nos dois únicos centros em que foi divulgada estatística por nacionalidade.

No do porto de Calais, foram detidos para averiguação, de maio a julho de 2005, 661 imigrantes de 85 nacionalidades, um terço dos quais brasileiros. Muito atrás aparecem mexicanos, bolivianos e lituanos (cerca de5% de cada país). Dos 218 brasileiros parados, somente 15% tiveram a entrada no Reino Unido liberada.

No terminal turístico de Coquelles, na mesma região, o quadro é semelhante: no período foram detidas para checagem 310 pessoas, de 70 nacionalidades, sendo 20% brasileiras. Em segundo vem mexicanos e americanos (4%) e turcos (3%). Dos 62 brasileiros, só 31% foram autorizados a seguir.

Os dados atestam que o Brasil é o pais com o maior número de imigrantes barrados no Reino Unido. Estatísticas divulgados em novembro pelo Ministério do Interior, mas relativas a 2004, mostram que o país, com 5.180 barrados naquele ano, passou a liderar o incômodo ranking depois que a Polônia, no topo até 2003, entrou na União Européia.

da Folha de SP - 06/04/2006

 

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