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Grandes Nomes do Teatro Brasileiro


Grandes nomes da história do teatro


Padre José de Anchieta

Padre José de Anchieta nasceu na Ilha de Tenerife, Canárias, em 1534, e morreu em 1597 numa cidade do Espírito Santo, Brasil, que hoje tem seu nome.
Anchieta veio para o Brasil em 1553, junto com outros padres que, em oposição à Contra-Reforma, tinham a catequese como objetivo. Este movimento influenciou o teatro e a poesia, e acabou resultando na melhor produção literária do Quinhentismo brasileiro. Das suas contribuições culturais para o nosso país, podemos citar as poesias em verso medieval (destaque: Poema à Virgem), os autos que misturavam
características religiosas e indígenas, a primeira gramática do tupi-guarani (a cartilha
dos nativos), além da fundação de um colégio.
De acordo com o crítico Eduardo Portella, José de Anchieta deve ser entendido como uma manifestação da cultura medieval no Brasil, por conta de sua poesia simples e didática, da métrica e do ritmo por ele usados. Além de Auto da Pregação Universal, Anchieta é considerado como sendo o autor de Na festa de São Lourenço, também chamada de Mistério de Jesus e de outros autos.

João Caetano

João Caetano dos Santos nasceu a 27 de janeiro de 1808 em Itaboraí, no estado do Rio.
Começou sua carreira como amador até que a 24 de abril de 1831 estreou como profissional na peça
O Carpinteiro da Livônia, mais tarde representada como Pedro, o Grande.
Apenas dois anos depois, em 1833, João Caetano já ocupava o teatro de Niterói junto com um elenco de atores brasileiros. Assim iniciava a Companhia Nacional João Caetano. O ator também exerceu as funções de empresário e ensaiador.
Autodidata da arte dramática, seu gênero favorito era a tragédia, mas chegou a representar papéis cômicos. Além de atuar em muitas peças, tanto no Rio como nas províncias, João Caetano ainda publicou dois livros sobre a arte de representar: "Reflexões Dramáticas", de 1837 e "Lições Dramáticas", de 1862.

Em 1860, após uma visita ao Conservatório Real da França, João Caetano organizou no Rio uma escola de Arte Dramática, cujo ensino era totalmente gratuito. Além disso, promoveu a criação de um júri dramático, para premiar a produção nacional.
Dono absoluto da cena brasileira de sua época, morreu a 24 de agosto de 1863, no Rio.

O pesquisador J. Galante de Souza (O Teatro no Brasil, vol.1) considera que o ator, "um estudioso dos problemas da arte de representar, e dotado de verdadeira intuição artística, reformou completamente a arte dramática no Brasil". Antes dele, a declamação era uma espécie de cantiga monótona, como uma ladainha. Ainda segundo J. Galante, "João Caetano substituiu aquela cantilena pela declamação expressiva, com inflexões e tonalidades apropriadas, ensinou a representação natural, chamou atenção para a importância da respiração e mostrou que o ator deve estudar o caráter da personagem que encarna, procurando imitar, não igualar, a natureza".

Gonçalves Magalhães

Domingos José Gonçalves de Magalhães, o Visconde de Araguaia, foi o primeiro autor de uma tragédia de assunto nacional: Antônio José ou O poeta e a inquisição. Esta peça, apesar da espontaneidade dos diálogos e da simplicidade da ação, ainda não pode ser considerada como uma obra do período romântico. O próprio Gonçalves de Magalhães admite que " procurou permanecer entre o rigor dos clássicos e o desalinho dos românticos".
Gonçalves de Magalhães ainda escreveu mais uma tragédia, Olgiato, sobre a conspiração contra o Duque de Milão, Galeazzo Maria Sforza, em 1476.

Martins Pena

Luis Carlos Martins Pena nasceu no Rio a 5 de novembro de 1815. Completou um curso de comércio e freqüentou a Academia de Belas Artes onde aprendeu pintura, escultura, arquitetura e cenografia. Paralelamente, estudou história, geografia, literatura (principalmente a dramática), inglês, francês e italiano.

Começou sua carreira de funcionário público em 1838 quando foi nomeado escrevente do consulado da
Corte. Em 1847, foi nomeado adido de primeira classe da Legação brasileira em Londres onde permaneceu até outubro de 1848. Morreu em Lisboa a 7 de dezembro de 1848.
Martins Pena escreveu sua primeira peça teatral, O juiz de paz da roça, em 1833. Deixou ao todo 28 peças entre comédias e dramas, além de dois textos incompletos. Como jornalista, colaborou no "Jornal do Comércio" do Rio, onde publicou os folhetins intitulados Semana Lírica entre 1846 e 1847.

Também escreveu uma novela, O rei do amazonas (incompleta), e o romance histórico Dugay Trouin.

Martins Pena é considerado o fundador do teatro de costumes no Brasil. Segundo o crítico Sílvio Romero "se se perdessem todas as leis, escritos, memórias da história brasileira dos primeiros cinqüenta anos do século XIX, e nos ficassem somente as comédias de Pena, era possível reconstruir por elas a fisionomia moral de toda essa época".

Martins Pena reformulou o esquema da farsa portuguesa introduzindo-lhe personagens e situações tipicamente cariocas. O pai da comédia brasileira prefere mostrar as condutas e os costumes considerados "censuráveis". Sábato Magaldi observa que é "a safadeza menor, o mau caráter, o roubo poltrão... a pequenez de tudo é o retrato melancólico feito por Martins Pena da maioria das suas personagens. Essa é a triste imagem refletida em sua comédia".

Artur Azevedo

Artur Nabantino Gonçalves Azevedo nasceu em 7 de julho de 1855 em São Luís do Maranhão.
Com apenas 15 anos escreveu sua primeira peça Amor por Anexins. Em 1873, aos 18 anos, veio para o Rio onde começou sua carreira como jornalista. Trabalhou nos jornais "O Paiz", "Correio da Manhã", "O Século" e foi crítico teatral em "A Notícia". Foi ainda fundador das revistas "O Domingo", "Revista dos Teatros", "A Gazetinha" e "O Álbum". Suas atividades iniciais no teatro se deram, a princípio, na tradução livre e na adaptação de comédias francesas. O seu primeiro sucesso teatral, A Filha de Maria Angu, foi uma imitação brasileira da opereta francesa La Fille de Mme. Angot. Traduziu ao longo de sua carreira cerca de 40 peças para o teatro. No final do século XIX, Artur Azevedo dominou o cenário teatral brasileiro. Deixou cerca de 25 comédias, 19 revistas-de-ano e 20 operetas e burletas. Além disso, foi um dos responsáveis pela construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, inaugurado logo após a sua morte ocorrida em 24 de outubro de 1908.

Artur Azevedo foi o consolidador da comédia de costumes iniciada por Martins Pena. Autor muito popular, retratou os costumes da sociedade brasileira do final da Monarquia e início da República.

Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 1839, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro. Ele era o filho único de um casal bem pobre: o pai era um pintor mulato e a mãe era uma lavadeira portuguesa. Machado ficou órfão bem cedo e permaneceu na escola por um período curto. Na verdade, ele precisou aprender tudo sozinho. Desde os 16 anos, freqüentava a tipografia de uma revista chamada Marmota Fluminense, e logo se tornou um aprendiz de tipógrafo. Foi desta forma que sua carreira como escritor começou. No início ele revisava os manuscritos e depois se tornou um jornalista. Em 1869, Machado casou-se com Carolina, uma jovem portuguesa, irmã do poeta Faustino Xavier de Novais. Depois da morte de Carolina, ele se isolou numa casa confortável no Cosme Velho - um bairro do Rio de Janeiro-, onde morreu em 1908, nos deixando uma obra composta por várias novelas e poemas, muitos contos, críticas e crônicas, algumas comédias e peças de teatro.

Fonte: Encena Brasil

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